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ANALFABETOS FUNCIONAIS

IMPACTOS NO MERCADO DE TRABALHO

Apenas 8% dos brasileiros dominam Português e Matemática

A limitação nas habilidades de Leitura, Escrita e Matemática, em muitos setores da economia brasileira, restringe a produtividade e a capacidade de inovação, resultando em uma baixa competitividade das empresas nacionais frente às corporações dos países com melhores indicadores educacionais.

É senso comum entre empresários, gestores e analistas que um dos caminhos mais efetivos para o desenvolvimento econômico é a educação. Estudos da UNESCO mostram que a cada três anos a mais de escolaridade média, um país pode ter um crescimento de mais de 1% de seu Produto Interno Bruto (PIB) e que cada ano a mais de escolaridade pode fazer com que um trabalhador ganhe 10% a mais.

Em nosso país, nos últimos anos, vimos um aumento significativo no acesso à educação, porém esse não teve o impacto esperado nem no PIB nem na renda do trabalhador. Esse resultado não foi obtido por conta de questões estruturais e também porque a educação brasileira ampliou o acesso, mas não modernizou o ensino, não houve um salto de qualidade. Continuamos com uma educação tradicional, bancária, ainda da era industrial, na qual os conhecimentos são colocados em caixinhas totalmente desconectadas entre si e com a realidade. Não aprendemos para a vida real nem para as relações, não aprendemos para sermos felizes e conscientes de nós mesmos.

Nosso processo de aprendizagem escolar e universitária é baseado na competição, na memorização de conteúdo e na repetição de conceitos. Diante desse cenário educacional, o que vemos são indivíduos com sérias dificuldades no momento de executar suas funções, sejam emocionais, sociais ou profissionais. Crianças terminam o ensino fundamental sem uma base mínima necessária para dar sequência a sua trajetória de aprendizagem formal. Como consequência disso, três de cada quatro brasileiros podem ser considerados analfabetos funcionais: são gestores que não conseguem gerir uma equipe, advogados que não conseguem interpretar a lei, engenheiros que não conseguem fazer cálculos corretos.

É por essas e por outras que o estudo “Alfabetismo no Mundo do Trabalho”¹, realizado em 2015, com base na metodologia Inaf – Alfabetismo no Mundo do Trabalho – mostra que apenas 8% dos brasileiros estão no nível Pleno Proficiente, considerado o mais alto da escala.

Como dizem nossos educandos: “Para que aprender conceito de adjunto e advérbio? E a fórmula de baskara? Depois da escola ninguém vai me perguntar o que é esse monte de coisas? Quero saber para que serve, Sora!”. Para que servem a língua portuguesa e a matemática se não vierem acompanhadas de um processo de comunicação e lógica?

(¹Fonte: Alfabetismo no Mundo do Trabalho 2015/ Instituto Paulo Montenegro e ONG Ação Educativa.)